PROGRAMAÇÃO

Temporada oficial 2018 Veja em : Noticias e Programacao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Fabiano Gonçalves em 6 mar 2018 nas áreas Balé/Dança, Lateral, Música contemporânea, Música sinfônica, Musical, Notícia, Ópera, Programação, Rio de Janeiro



 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro divulga programação 2018 com dois concertos, um musical, sete óperas (uma montagem própria e três em concerto) e quatro balés.

 

“A cultura é prioridade para o estado. Estou empenhado em retomar os investimentos na área. O Theatro Municipal é um ícone do Rio de Janeiro e seu funcionamento, imprescindível para a vida cultural da cidade.” Com essas palavras, enviadas por e-mail pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o presidente da Fundação Teatro Municipal (FTM), Fernando Bicudo, e sua equipe reuniram a imprensa na tarde de 5 de março para anunciar a programação da Casa para 2018.

“Com esta programação buscamos, além de qualidade artística, um vasto leque de obras dos mais variados estilos e épocas: da ópera barroca de Vivaldi às mais arrojadas encenações multimídias; do repertório clássico tradicional à música contemporânea; dos grandes clássicos do balé às novas linguagens da dança”, diz Bicudo em texto de abertura do programa entregue aos jornalistas.

A temporada se inicia em 31 de março, quando ocupam o palco a Orquestra e o Coro do TMRJ; a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), como convidada; a soprano Flavia Fernandes e a mezzosoprano Denise de Freitas, sob direção musical e regência de Tobias Volkmann, para executar a Sinfonia n. 2, de Gustav Mahler – conhecida como Ressurreição. As primeiras bailarinas Ana Botafogo e Cecília Kerche, integrantes do Colegiado Artístico do Theatro e diretoras do Corpo de Baile, participam com uma coreografia feita pelo bailarino Marcelo Misailidis.

“Queríamos um concerto importante para abrir a temporada – e uma peça como essa não é comumente vista pelos cariocas. Além disso, essa sinfonia manifesta exatamente o desejo de ressurreição do Theatro e da OSB”, declara Volkmann, diretor artístico da Orquestra da Casa – referindo-se à opaca programação do TMRJ em 2017 e à crise financeira que quase riscou a Sinfônica Brasileira do mapa. A parceria do Municipal com a OSB, que ocorrerá neste e em outros concertos da temporada, é uma das apostas de Fernando Bicudo: “Uma das metas da nossa gestão são as parcerias. Esta com a OSB, especificamente, nos permitiu ter uma megaorquestra para a obra de Mahler. Além de quitar a dívida da orquestra com o Theatro”.

Parceria também é a tônica da primeira ópera do ano: Um Baile de Máscaras, de Giuseppe Verdi, que tem estreia marcada para 27 de abril e seis récitas programadas que contarão com dois elencos, com cantores nacionais e internacionais. A atração é coprodução do Theatro com a Ópera de Kiel, na Alemanha, onde estreou em janeiro deste ano. A concepção e a direção são do encenador italiano Pier Francesco Maestrini, diretor de Ópera do TMRJ e também integrante do Colegiado Artístico da Casa.

 

 

“Temos a garantia financeira do governo do estado para o início da temporada, com R$ 3,6 milhões. Estamos buscando patrocinadores para manter a temporada completa”, declarou o presidente da FTM. No caso de Um Baile de Máscaras, será graças à Ópera de Kiel que a montagem chegará ao Rio: os alemães cederam o equipamento responsável por três projeções high-tech simultâneas que compõem o cenário da ópera – “uma espécie de filme com efeito 3D”, adiantou Bicudo. A tecnologia é um dos principais carros-chefe da atração. “Somos uma Casa tradicional, mas gostamos de inovar”, diz o gestor.

Também da Europa – desta vez, da França – virá a aliança para a atração que será montada a partir de 18 de maio: O Juízo Final, também de G. Verdi. Apresentado como ópera, não é senão uma encenação do Réquiem do compositor italiano. A coprodução aqui é com o Grande Palácio de Exibições do Festival de Cannes. Com concepção, cenografia e direção cênica do encenador italiano Paolo Miccichè, a montagem terá Coro e Orquestra do TMRJ acompanhando solistas brasileiros e estrangeiros, e, para encher os olhos, grandes projeções dos afrescos pintados por Michelangelo para a Capela Sistina, no Vaticano.

A ópera multimídia Liquid Voices, de Jocy de Oliveira, representa tanto a produção nacional como a criação contemporânea. Esta nona ópera da compositora paranaense de 81 anos teve estreia mundial em 2017, em São Paulo, e será apresentada no Municipal carioca a partir de 20 de outubro, com o mesmo elenco da montagem original (a soprano Gabriela Geluda e o tenor Luciano Botelho), mais Corpo de Baile, Coro e Orquestra do TMRJ.

Artistas contemporâneos do grafite terão a oportunidade de mostrar seus talentos na montagem de Porgy & Bess, de George Gershwin, no Municipal a partir de 16 de novembro. A proposta é promover um concurso de grafiteiros para compor o cenário de uma favela carioca para a qual a fictícia comunidade de Catfish Row foi transportada na concepção de Bicudo para este clássico norte-americano – em montagem que já foi apresentada no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em outubro de 2017 (leia críticas aqui e aqui). Apenas alguns nomes do elenco da encenação mineira serão mantidos, “em função de incompatibilidade de agenda”, segundo o diretor, que não revelou quais.

Óperas em concerto

Dos sete títulos líricos programados para 2018 (excluindo O Juízo Final do rol de óperas), três serão apresentadas em forma de concerto, sem cenários e (talvez) sem figurinos. O primeiro será em 6 de julho: Sansão e Dalila, ópera-oratório de Camille Saint-Saëns. Produzido pelo próprio Fernando Bicudo à frente da Ópera Brasil em São Paulo e no Rio de Janeiro em 1989, a atual montagem terá solistas nacionais e internacionais, Coro e Orquestra do Theatro Municipal.

Griselda, de Antonio Vivaldi, ocupará a agenda do TMRJ a partir de 24 de agosto. De acordo com o programa distribuído à imprensa, esta será a primeira apresentação da ópera barroca em uma temporada lírica do Municipal carioca. A atração contará mais uma vez com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira e um elenco totalmente brasileiro. “Aguardem uma grande novidade nesta montagem. Lançaremos pelo menos duas estrelas internacionais”, promete Bicudo.

O gestor promete um grande nome novamente no elenco de Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea, que estará em cartaz a partir de 11 de outubro, também em forma de concerto. “Esperamos apresentar aqui uma prima donna do canto em pelo menos duas récitas desta que é uma das óperas mais aguardadas pelos melômanos cariocas”, conta.

 

Estrelas das sapatilhas

Solos, pas-de-deux e excertos de coreografias famosas comporão o Gala das Estrelas do Balé que a Casa programou para 2 de junho. Sobre o palco, primeiros bailarinos e primeiras bailarinas, brasileiros e estrangeiros. A ideia é ter a presença, nesta apresentação, dos artistas que estarão em cena no famoso balé Coppelia, de Leo Delibes, atração cuja estreia está agendada para o dia 8 do mesmo mês.

Estrelas da dança também devem vir ao Rio de Janeiro para o Tributo aos Balés Russos, atração programada para 3 de agosto. Bailarinos internacionais farão quatro récitas de SheherazadeLes Sylphides e L’Après-midi d’un Faune – clássicos dos mestres russos que serão apresentados na íntegra. O espetáculo homenageia a bailarina, professora e remontadora Tatiana Leskova, por ocasião de seus 95 anos.

Segundo o presidente da FTM, esta atração pode realizar o desejo de apresentar as atrações da Casa em outros espaços: “Estamos com planejamento de levar nossos espetáculos para o interior, especialmente o balé, já a partir do primeiro semestre. Além disso, queremos também levar nossas montagens para a Cidade das Artes, com foco na formação das plateias da Barra da Tijuca.”

O tradicional balé de fim de ano se mantém em 2018, e a atração prevista para dezembro deste ano é O Lago dos Cisnes, com música de Piotr I. Tchaikovsky e coreografia de Yelena Pankova. Ana Botafogo e Cecília Kerche serão responsáveis pela remontagem e pelos ensaios dos solistas. “Será nossa grande apoteose do balé”, anima-se Fernando Bicudo. A atração deve estrear em 14 de dezembro e ter récitas até a véspera do Natal.

Para a realização dos espetáculos de dança, o presidente da Fundação Teatro Municipal espera fazer contratações especiais para o Corpo de Baile da Casa.“Imediatamente, para suprir as necessidades e possibilitar que os bailarinos voltem à forma”, declara.

Atrações para os pequenos

No mês das crianças, o Theatro Municipal se abrirá para os baixinhos. Trechos de Hansel und Gretel, de Engelbert Humperdinck, comporão a ópera-balé João e Maria para Crianças, que a Casa pretende apresentar, em português, durante todo o mês de outubro, a partir do dia 1º, na Sala Mario Tavares. Em cena, solistas do Coro do TMRJ e integrantes do Balé da Escola do Municipal, sob direção de Hélio Bejani.

Trechos de balés que tenham apelo infantil, como O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky, integrarão o espetáculo O Mundo é das Crianças, que será apresentado em 12 de outubro e reapresentado no dia seguinte, com ingressos a R$ 1. No elenco, integrantes do Corpo de Baile do TMRJ e do Balé da Escola do Municipal.

O programa Domingo a R$ 1, aliás, bem como o Projeto Escola, serão mantidos na gestão de Fernando Bicudo. O mesmo vale para o tradicional evento de aniversário do Municipal, celebrado em 14 de julho, com concertos, balés e óperas durante todo o dia. “Convidamos a Banda dos Fuzileiros Navais para abrilhantar nossa festa e, por ser na data da Revolução Francesa, pedi à Orquestra do TMRJ para interpretar a Abertura 1812, de Tchaikovsky”, adianta.

Já o programa de assinaturas para a temporada, talvez só em 2019. “Se eu estiver aqui no ano que vem, quero lançar o programa de assinaturas ainda em outubro deste ano”, promete o gestor.

 

Presenças ilustres

O renomeado pianista Nelson Freire e o ascendente maestro Marcelo Lehningerapresentarão, em 22 de julho, ao lado da Sinfônica do Municipal, o Concerto n. 2, de Johannes Brahms, no segundo concerto do ano da OSTM (que executará ainda a Sinfonia n. 4, de Tchaikovsky).

Para comemorar o centenário de nascimento do compositor e maestro norte-americano Leonard Bernstein, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho(artistas responsáveis pela montagem de diversos musicais de sucesso) foi convidada para levar à cena, a partir de 7 de setembro, nova montagem do musical West Side Story“Trataremos esta obra mais como musical que como ópera. Nosso intuito é que esta montagem faça grande temporada e viaje pelo Brasil”, adiantou Bicudo.

Outra estrela da ribalta que passará pelo palco do Municipal é o ator e diretor Miguel Falabella. A ele caberá uma nova tradução e a direção de A Viúva Alegre, opereta de Franz Lehár (cuja versão de Millôr Fernandes para o português é bastante conhecida). Com estreia marcada para 28 de dezembro, a montagem será, segundo Bicudo, “uma grande novidade para terminar o ano”. E mais: a ideia é estender a temporada janeiro adentro, para “trazer os turistas que visitam a cidade no verão para conhecer o Municipal”, acrescenta. A obra será executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, em função de a Sinfônica do Municipal estar em férias nessa época.

Ainda que apresente apenas uma montagem inédita (A Viúva Alegre), entre uma missa em récita encenada (O Juízo Final, montada na França), três remontagens (Um Baile de Máscaras, estreada na Alemanha; Liquid Voices, vinda de São Paulo; e Porgy & Bess, do Palácio das Artes mineiro) e três em forma de concerto (Sansão e DalilaGriselda e Adriana Lecouvreur, evocando a série OSB Ópera & Repertório, da qual Fernando Bicudo foi codiretor artístico até 2012), o panorama lírico que o presidente descortina é ousado e positivamente pretensioso – sem contar a estreia de um musical com a grife Möeller & Botelho, projeto nascido na gestão anterior do Municipal, sob a direção artística de André Heller-Lopes, e três balés de envergadura de peso de balé. Resta torcer que haja fôlego para cumpri-lo.

A projeção é de que o orçamento total dessa temporada gire em torno de R$ 12 milhões. “Esperamos que, desse valor, o governo do estado pague apenas R$ 3,6 e o resto venha de patrocínios”, diz Bicudo. No caso de West Side Story, por exemplo, o custo do Municipal com essa produção equivaleria a 20% do total da montagem – o resto viria dos parceiros e de patrocínios.

“É tempo de resgatar os áureos tempos do TM”, diz o texto de abertura do programa da temporada. Fernando Bicudo parece confiante: “Todos os salários dos servidores do Municipal estão em dia. Sabemos que o governador pretende pagar o 13º de dezembro até o fim deste mês”. A esperança do atual presidente da FTM prossegue no texto da programação entregue à imprensa: “O Rio de Janeiro, mais do que nunca, merece valorizar sua vocação para a arte e a cultura. Renovação traz esperança”. Que assim seja!

 

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