Presidente da AATMRJ recebe Medalha Pedro Ernesto

 

Exmo. Sr. Presidente, Vereador Marcelo Queiroz, Exmos. Srs. Membros desta Câmara, meus senhores e minhas senhoras, meus amigos e minhas amigas,

 

Quando o Vereador Marcelo Queiroz pediu que me perguntassem se eu estaria de acordo em ser agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, ao orgulho natural diante do convite, juntou-se a curiosidade para saber: Por que eu?  O que fiz de tão importante para merecer tamanha homenagem?

Foram-me, então, apresentados alguns motivos, tais como os meus quase cinquenta anos no exercício da profissão da advocacia. Sou titular de uma inscrição na OAB já tão antiga que fui dispensado de pagar anuidade. Sublinharam também minha contribuição ao Rio de Janeiro no momento da implantação de importantes empresas para o nosso Rio e ainda minha colaboração para a área cultural de nossa cidade.

Frente a tais argumentos, sem falsa modéstia, me senti merecedor da Medalha e aceitei, muito prosa, a homenagem.

De fato, repassando minha vida, dos 20 aos 70 anos, vejo que alguma coisa consegui fazer.

 

O ADVOGADO

Aos 20 anos, em 1964, eu entrava como estagiário para os escritórios José Nabuco e Gouvêa Vieira. Somente 41 anos depois, em 2005, eu abria o escritório que leva o meu nome. Sempre na Avenida Rio Branco, 85. Afinal, aquele prédio tinha sido para mim, muitas vezes, uma espécie de porto seguro. Na época das manifestações contra o golpe de 64, quando voltava do fórum com minha colega e amiga Yvonne Ventura, aproveitávamos para participar das passeatas na Av. Rio Branco e protestar contra o golpe para, afinal, chegarmos ao prédio. Quando começavam as bombas contra os manifestantes, nós corríamos para o nº 85, que abria suas portas para nós entrarmos.    

Mas voltando à idade das inscrições. Como achávamos antigas as inscrições de Dr. José Nabuco e de Dr. João Pedro Gouvêa Vieira, comparadas com as nossas, advogados recém-formados. Falo de mim, de Jorge Hilário Gouvêa Vieira e de Vitor Costa, colegas de turma, que por muitos anos trabalhamos juntos. Hoje são as nossas inscrições que surpreendem os jovens advogados.

Mais importante que o nº da inscrição, espero que tenha honrado e que continue honrando o compromisso prestado ao receber a carteira da OAB em 1967, no ano seguinte à formatura.

À OAB, tive a oportunidade de prestar uma colaboração ao participar da criação da Comissão de Arbitragem, a convite do Professor Theóphilo de Azeredo Santos. Procurei levar para aquela Comissão um pouco de minha experiência como membro suplente da Corte Internacional de Arbitragem da CCI em Paris, mas certamente o Professor Theóphilo foi o grande mentor e líder daquela comissão.

 

EMPRESAS NO RIO

Passando agora a minha colaboração ao Rio como advogado, de fato tive a honra de participar junto com meus antigos sócios, da implantação no Rio de Janeiro de empresas como Hotel Méridien, Michelin, Carrefour, Peugeot Citroën e Leroy Merlin.

O trabalho ia, muitas vezes, desde a negociação e a aquisição dos terrenos e dos contratos de construção até todos os detalhes, movimentando todas as áreas do Escritório.

Pela ligação que tinha com a Moët et Chandon, fui convidado a participar também do desenvolvimento da Louis Vuitton no Brasil. Como advogado e então presidente da empresa frisei o quanto seria importante para os franceses terem no Rio a sua primeira loja. Consegui!

Mais recentemente, fui convidado para advogar para a Sephora, também do grupo LVMH-Moët Hennessy Louis Vuitton. Aceitei com prazer, tendo colocado na linha de frente meu sócio Pedro Amaral. Neste caso a primeira loja foi em São Paulo, mas logo depois vieram para o nosso Rio. Hoje já são 3 lojas no Rio.

 

ÁREA CULTURAL

Passo agora a falar um pouco sobre a minha colaboração para a área cultural do Rio de Janeiro.

Redigi os primeiros estatutos de uma Associação de Amigos, que foram para a Sala Cecília Meireles.

Fui presidente da Associação dos Amigos dos Museus Castro Maya, da Sociedade de Amigos do Museu de nossa vizinha Petrópolis e assumi também a presidência da Associação dos Amigos do Theatro Municipal.

Nos Museus Castro Maya, tive o imenso prazer de estar próximo dos originais de Debret, de seu maravilhoso trabalho sobre o Rio de Janeiro.

A Associação dos Amigos do Teatro Municipal, fundada há quase 30 anos, foi uma iniciativa de Dalal Achcar, sua grande locomotiva. Seus estatutos foram redigidos por Gustavo Martins de Almeida, meu competentíssimo Vice, a quem sempre agradeço o apoio. Muitos anos já se passaram e tive sempre a preocupação de que nossa Associação fosse absolutamente apolítica e assim atravessamos vários Governos, de vários partidos, sempre colaborando com este monumento, que é o Theatro Municipal. Contribuímos para ajudar a promover e divulgar os eventos relacionados ao Theatro, captando recursos para os espetáculos e as obras. É claro que não poderia deixar de registrar o momento da enorme importância que foi a obra do restauro do Theatro e agora a obra para a criação da Fábrica de Espetáculos, em um antigo armazém do Cais do Porto. O Theatro esteve fechado de modo a permitir um restauro em 100% de seu prédio, em todos seus detalhes, inclusive nas pinturas de Visconti, muitas descobertas, à medida que camadas de pintura superpostas iam sendo cuidadosamente desfeitas.

Sobre a Fábrica de Espetáculos, as obras civis da 1ª fase já se encontram quase concluídas. Lá serão ministrados cursos especializados para a formação de técnicos eletricistas cênicos, maquiadores, costureiras e diversos outros que a Fábrica de Espetáculos irá prover em toda a área de artes cênicas. O projeto é realmente maravilhoso. Da rua nós vamos poder ver as costureiras trabalhando nas confecções das roupas para os artistas.   Tudo isto, claro, graças à iniciativa, à fibra, à coragem e à competência de Carla Camurati. Procuro ser dela um bom coadjuvante. Por estas características de Carla, semelhantes às de nosso Prefeito Eduardo Paes, foi ela merecidamente convidada por ele para ser a responsável pela área cultural das Olimpíadas.

 

AMOR AO RIO

Quero agora fazer a minha declaração de amor ao Rio, como se tudo que acabo de dizer não fosse suficiente, minha declaração de confiança no trabalho de nosso ex-estagiário do escritório de advocacia, Prefeito Eduardo Paes. Certamente estamos fazendo um sacrifício por conta de tantas obras, mas, uma vez terminadas, nossa cidade vai ficar mais bonita do que nunca. Eu, pessoalmente, sou um dos primeiros a não poder reclamar dos sacrifícios. Sempre fui defensor da demolição da perimetral, apesar de construída na época de meu querido e saudoso presidente Juscelino Kubitschek. Até artigo no jornal cheguei a escrever. Foi em julho de 2008 e o artigo intitulava-se “Agredidos pela Perimetral”. Em uma missa na Catedral de Petrópolis, durante uma visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso, eu estava sentado logo atrás do então Prefeito Luiz Paulo Conde, que abraçava a ideia. Na hora da elevação, eu ajoelhado, soprei no ouvido dele: Me chame para a primeira martelada. No meu artigo eu dizia:

“O coração do Centro Histórico do Rio, cada vez mais preservado, é dilacerado por uma seta que o deixa sempre com um ar doente. Como está, jamais atingirá a plenitude de sua beleza. O Paço está lindo, assim como a antiga catedral recém restaurada. Outra jóia é a Igreja de Nossa Senhora da Ordem 3ª do Monte do Carmo, onde me casei, também na década de 60. O Arco do Telles idem. Mais adiante os prédios antigos do Tribunal, o Museu da Imagem e do Som e o Museu Histórico. No final da Rua do Rosário, está a 1ª sede do Banco do Brasil de 1808, que abriga hoje a Brasserie Rosário. Outro charme.   No livro “Era no Tempo do Rei”, do Ruy Castro, Pedro I, garoto, perambula encantado pelo Centro do Rio, por onde também eu perambulo com muita admiração. Jamais quis mudar meu escritório para Ipanema ou para o Leblon. Sou fã deste Centro!

Mas a perimetral é uma poluição visual, uma agressão ao coração da Cidade. Vamos desafiar os arquitetos e os engenheiros de trânsito para encontrar outra solução. O Rio merece. Nós merecemos!”

Conseguimos!

 

E para terminar quero expressar minha confiança também nesta Câmara e agradecer a vocês, nossos representantes a homenagem que me é hoje prestada.

Muito obrigado a todos!

 

 

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